Morreu, hoje, o Zé Bonitinho. Jorge Loredo tinha 89 anos e estava internado, desde o dia três de fevereiro, no Hospital São Lucas, em Copacabana, Zona Sul do Rio por conta de problemas de saúde. O boletim médico indicou que Loredo morreu de falência múltipla dos órgãos.
O personagem Zé Bonitinho, o mais famoso já criado por Jorge Loredo era conhecido pela elevada auto-estima. O personagem acreditava ser um galã irresistível; sempre se apresentava pentiando uma imensa cabeleira (com um pente, também, imenso), tinha voz de locutor de rádio e bordões como "Câmera close; microfone please!" e "Garotas do meu Brasil varonil: vou dar a vocês um tostão da minha voz!"
Esse personagem foi inspirado em um amigo de Loredo que, assim como Zé Bonitinho, se achava lindo. Loredo imitava esse amigo tirando sarro da cara dele durante festas e reuniões, a gozação fazia com que todos presentes morressem de rir.
Pode-se dizer que Jorge Loredo foi um cara de sorte. Sua infância e juventude foram marcadas por sua saúde debilitada. Aos 12 anos foi diagnosticado com osteomielite (inflamação que afeta os ossos) na perna.
Aos 20 contraiu uma tuberculose. Esse último mal, por incrível que pareça, pode ter sido o responsável para uma mudança favorável na vida do ator. Internado por causa da doença, Jorge Loredo passou a participar de um grupo teatral do hospital e, ali, descobriu sua vocação.
Jorge Loredo chegou a televisão em 1950, no Programa Noites Cariocas da TV Rio. Lá conheceu Chico Anysio, que roteirizava os textos do programa. Na sua primeira oportunidade, Loredo apresentou o Zé Bonitinho.
Loredo também trabalhou com Manoel da Nóbrega (pai de Carlos Alberto da Nóbrega) nos programas "A Praça é Nossa" e "Rio Cinco Para as Cinco", ambos veiculados pela TV Rio. Neles Jorge Loredo se apresentava com o personagem Mendigo Filósofo usando fraque, cartola, monóculo e luvas, todos bem esfarrapados.
Esse personagem, também foi uma grande idéia de Jorge Loredo. Ele conseguiu tanto sucesso com o Mendigo Filósofo, que conquistou a admiração do então presidente da república Juscelino Kubistcheck. A aproximação fez com que Juscelino fosse padrinho de casamento de Jorge Loredo; e, para homenagear o presidente, Jorge criou outro bordão "Agora vou encontrar com aquele menino, o Juscelino...".
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