Hoje, se completa um ano que extremistas islâmicos assassinaram jornalistas do Charlie Hebdo. Os irmãos Chérif e Said Kouachi entraram na redação do jornal, mataram 12 pessoas e feriram outras 11 em sete de janeiro de 2015, motivados por uma idéia de vingança, já que o Charlie Hebdo vinha criticando o islamismo.
Na ocasião, o ato terrorista comoveu a população francesa e o mundo. Quase quatro milhões de pessoas, dentre elas o presidente François Hollande e 50 chefes de estado, foram as ruas e fizeram uma caminhada em protesto contra o ato terrorista.
Um ano após os ataques terroristas, a França lembrou a tragédia. Na última terça (dia cinco), o presidente François Hollande inaugurou três placas. Uma na antiga sede do Charlie Hebdo; a segunda na rua onde um policial foi morto, durante a fuga dos terroristas; e a terceira no supermercado atacado durante o atentado.
As homenagens só terminarão no domingo, quando ocorrerá uma "cerimônia de recordação aos mortos de janeiro" e o plantio de um carvalho de 10 metros de altura, que será chamado de "árvore da recordação".
Mesmo após a represália, o Charlie Hebdo manteve sua postura crítica e uma semana após os ataques lançou uma edição especial com cinco milhões de tiragens (geralmente a tiragem é de 60 mil) que trazia na capa o profeta Maomé chorando e segurando uma placa que dizia "tudo está perdoado". A atitude revoltou muçulmanos de outros países que protestaram queimando a bandeira francesa e mostrando que o confronto não chegou ao final.
Para marcar a data de um ano do atentado, o Charlie Hebdo lançou uma edição especial que traz Deus carregando um fuzil e com as roupas sujas de sangue. A capa foi criticada pelo Jornal do Vaticano que afirmou ser "lamentável", disse que o Charlie Hebdo quer "manipular a fé" e desrespeita as diferentes crenças existentes no mundo e está usando "[...] o nome de Deus para justificar o ódio".
O papa Francisco seguiu a mesma linha de raciocínio ao se pronunciou sobre o jeito de trabalhar do Charlie Hebdo. Segundo ele "não se pode provocar, não se pode insultar a fé dos outros, não se pode zombar da fé."
Os ataques mostraram que há uma crise étnica na França. Os muçulmanos (muitos deles franceses) não se sentem integrados como parte da nação; e, após os ataques, essa crise se acentuou.
Apesar de ter sofrido um ataque dentro de sua redação, que vitimou 12 pessoas, o Charlie Hebdo melhorou suas finanças. A época, o jornal contava com o total de 10 mil assinantes e viu esse número subir, após o atentado, para a impressionante marca de 200 mil assinantes em menos de um mês. O fato permitiu o resgate de suas finanças, que vinham bastante debilitadas.
g1.globo.com;
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